Impacto da garrafa pet no meio ambiente

Existe uma boa quantidade de informação circulando sobre o aumento da poluição causada pelo plástico e outros derivados de combustíveis fósseis, especialmente em relação a artigos utilizados apenas uma vez. Estatísticas alarmantes e novos estudos surgem a cada dia sobre o assunto, alertando sobre os riscos para o meio ambiente e para a conservação do planeta.

A cada seis garrafas compradas, apenas uma é reciclada. Um número preocupante, já que é um indicativo que representa um grande problema. As garrafas plásticas de água não são biodegradáveis, mas fotodegradáveis, o que significa que será necessário até 1000 anos para cada garrafa se decompor, e que ela irá vazar poluentes extremamente tóxicos no solo e na água durante o processo. Como resultado, os aterros sanitários estão sobrecarregados de garrafas descartadas, além de que, por ser o plástico produzido com um combustível fóssil, as garrafas não apenas são um problema para o meio ambiente, mas também um enorme desperdício de matéria prima.

Porém, outros pontos importantes sobre o uso de garrafas PET precisam ser mencionados. Para se produzir uma garrafa plástica são consumidas 3 vezes mais água do que o seu conteúdo, ou seja, o que você está consumindo é apenas 25% da água utilizada. As garrafas plásticas são feitas de um derivado de petróleo chamado tereftalato de polietileno (PET), o que requer grandes quantidades de matéria prima na sua produção e transporte. Além disso, é necessário o consumo de 2000 vezes mais energia na manufatura de uma garrafa de água do que o equivalente para levá-la até uma torneira.

 

Quanto plástico existe nos oceanos?

Estudos indicam que, atualmente, existem 5 trilhões de peças de plástico nos oceanos, e que, a cada ano, em média, mais 8 milhões são despejados nos mares. Esses números assustadores ficam ainda mais impressionantes quando são esses materiais todos acabam se reunindo em imensas placas de detritos no meio dos oceanos.

Os giros oceânicos, são vórtices causadas pelas correntes marítimas que acabam por agregar esses dejetos, formando grandes placas de lixo plástico, extremamente nocivos para o ecossistema marinho. O maior deles, o Giro do Pacífico, também conhecido como “Grande Porção de Lixo do Pacífico”, localizado no norte do oceano de mesmo nome, tem uma estrutura de resíduos acumulados que já soma 70 mil toneladas e uma extensão de 1,6 milhões de quilômetros quadrados.

Existem projetos para tentar diminuir esses aterros oceânicos, porém ainda não existe consenso entre os especialistas de qual seria forma mais eficaz, tanto em relação a limpeza dos oceanos quanto na conservação do bioma marinho, fazendo com que os esforços hoje se concentrem em diminuir a entrada de novos detritos nos giros.

 

Como o plástico afeta os oceanos?

O principal efeito nocivo do plástico nos oceanos é a ingestão dos mesmos pelos animais que participam do seu ecossistema. Em média, a ingestão de plástico mata cerca de 100 mil tartarugas marinhas e pássaros por ano, além disso estudos apontam que as tartarugas consomem duas vezes mais plástico do que a duas décadas passadas.

Mas não é só na ingestão do material que os animais sofrem, já que os resíduos plásticos podem fazer com que os animais fiquem presos. Outro fator preocupante é que, apesar de não consumirem essas estruturas menores de plástico, grandes predadores acabam se alimentando de animais menores que o ingeriram, o que prejudica toda a cadeia alimentar marinha. Isso sem contar os animais consumidos por humanos, já que a maior parte do plástico está em micropartículas, invisíveis a olho nu, o que torna a ingestão do material pelo homem cada vez mais frequente, aumentando assim o número de doenças causadas pela ingestão de derivados do petróleo, materialmente altamente tóxico.

 

Qual o impacto na saúde?

Além dos impactos na absorção desses resíduos relacionados ao consumo de espécies marinhas, o plástico nos mares afeta a produção do oxigênio. Ao contrário do que é reproduzido pelo senso comum, a maior parte do oxigênio, cerca de 70%, é produzida nos oceanos por algas marinhas. A existência de resíduos altamente tóxicos e não biodegradáveis nas águas está causando impactos cada vez maiores na qualidade do ar respirado no planeta.

Além do impacto no ecossistema marinho, muitos são os países que permitem a utilização do lodo de esgoto para adubagem de terras na agricultura. No caso desse lodo possuir micro componentes de plástico, novamente a população estará consumindo alimentos carregados de toxinas comuns em combustíveis plásticos.

 

Quanto do plástico é reciclado?

Atualmente, no mundo todo, apenas 9% de todo o plástico é reciclado e os motivos para esse números são vários, mas os principais são a qualidade do mesmo e o custo. Como existem diferentes composições de tipos de plástico, reciclar esses materiais juntos pode se tornar extremamente tóxico. Além disso, o custo para reciclar as garrafas ainda é muito alto, fazendo com que as empresas optem por usar nova matéria prima ao invés de optarem por materiais reaproveitados.

Todos os anos, são gastos mais de 100 bilhões de dólares em água engarrafada em todo o mundo. Para colocar em perspectiva, é também o montante gasto em medicamentos contra o câncer a cada ano. Na verdade, as receitas geradas pela indústria de garrafas plásticas de água são tão grandes, que os ganhos de um ano dessas empresas poderiam, teoricamente, serem usados ​​para corrigir permanentemente a crise global da água, deixando-as com alguns bilhões de dólares de sobra.

O que podemos fazer para ajudar

Diminuir a compra garrafas plásticas de água

Uma atitude simples, porém extremamente necessária. Diminuir o consumo de água engarrafada é algo que precisa ser feito de forma imediata por aqueles que possuem água potável de qualidade em seu dia-a-dia. Pesquisas já demonstram que a maioria das pessoas que afirmam conseguir distinguir o gosto ou a qualidade da água de torneira em relação a água de garrafa, em um teste às cegas não conseguir distinguir uma da outra, portanto, podendo optar pela água de torneira (com o auxílio de filtros ou não), a natureza agradece.

Educar nossos filhos

A educação ambiental e o cuidado com o meio-ambiente são premissas que devem ser passadas de geração em geração, nossas atitudes de hoje vão impactar tanto o nosso futuro quanto daqueles que virão, por isso uma conscientização cedo sobre a importância da natureza, e especialmente do consumo de água, para o funcionamento de nossas vidas é algo crucial.

Exigir medidas que diminuam o consumo

As mudanças não podem acontecer apenas no nível pessoal, mas precisam ser efetivadas em toda a sociedade. Existem inúmeras medidas em diversos países, seja em nível nacional quanto local, que tem como missão diminuir o consumo de água engarrafada. Do banimento das mesmas em parques e praias, ao incentivo a programas de reciclagem e sustentabilidade, a diminuição do consumo de matéria prima provinda de combustíveis fósseis, todas são medidas importantes e que devem ser aplicadas e divulgadas para que esses esforços deem resultados.