O Crescimento do Futebol Feminino no Brasil

Um confronto entre Barcelona e Real Madrid com casa cheia não é algo que chame a atenção do torcedor acostumado a acompanhar o futebol internacional, mas quando informado de que os 91.553 presentes estavam assistindo um jogo valendo pela Champions League de futebol feminino, muitos ficaram impressionados. Mas apesar do público recorde, o maior registrado em uma competição feminina até o momento, o torcedor não deve estranhar mais a grandeza de números como esses, já que o interesse pelo futebol feminino vem crescendo a cada ano, inclusive no Brasil.


Apesar de ser um país mundialmente conhecido pela quantidade e qualidade de jogadores de futebol durante todo o século passado, a modalidade feminina ficou abandonada por boa parte desse tempo, inclusive sendo proibida por 3 décadas. De 1941 a 1979 era vetada a prática do esporte por mulheres no Brasil, pois segundo a lei em vigor, sendo ele um jogo de contato, a participação de mulheres no futebol poderia acarretar em problemas de fertilidade


A situação começou a mudar a partir do final da década de 80, com a criação da seleção feminina de futebol, porém a qualidade de jogo e, principalmente, infraestrutura estava bem aquém de outros países de destaque na modalidade,  como Estados Unidos, Austrália e países europeus. Mesmo contando com o talento individual de diversas jogadoras, muitas  entre as melhores do mundo, o Brasil não conseguia fazer frente às equipes melhor preparadas.


Apenas na última década começaram a se dar passos significativos rumo a uma profissionalização melhor do esporte e, como consequência, a melhoria da qualidade das competições disputadas no país. Em 2013 foi criado o primeiro campeonato brasileiro de futebol feminino e em 2019 a Confederação Brasileira de Futebol determinou que os times que disputam a Série A mantenham também equipes femininas - adultas e de base. Dessa forma a CBF se adequou à diretriz da FIFA que incentiva a prática do futebol feminino. Essa obrigatoriedade teve grande impacto na modalidade, tanto do ponto de vista da competitividade, quanto da visibilidade.


Mas não foram apenas os investimentos em infraestrutura, por parte de clubes e entidades, os responsáveis por esse crescimento do esporte no país, a transmissão dos jogos por diversos tipos de mídia também aumentaram o interesse do público pelo futebol feminino. A iniciativa com maior impacto foi a transmissão da última Copa do Mundo Feminina na França em 2019 pela Globo. Como se trata de uma emissora de enorme alcance nacional e com expressiva audiência na sua programação, a quantidade de pessoas interessadas pela competição aumentou exponencialmente, trazendo ótimos números para a rede. 


Já a Band, emissora que tem sua marca fortemente vinculada ao esporte, começou a transmitir os jogos do Brasileirão Feminino, tendo alcançado 4 milhões de telespectadores durante as transmissões, além de ter registrado um aumento na audiência em horário nobre de 80% em relação ao mesmo período dos anos anteriores. Além das emissoras de televisão tradicionais, outras iniciativas vêm sendo tomadas, trazendo as transmissões para  outros tipo de mídia, como a transmissão por canais do Youtube. As contas do Brasileirão Feminino e do Desimpedidos atingiram mais de 300 mil espectadores.


Portanto, pode-se perceber um nítido crescimento do esporte no mundo e, especialmente, no Brasil. É importante ressaltar que a pressão da sociedade para resolver desigualdades de gênero, resultadas do de um descaso histórico com a modalidade, foram  responsáveis por garantir essas mudanças estruturais. E que com o investimento em visibilidade e infraestrutura, a qualidade dos jogos e das performances individuais, que vem melhorando a cada ano, só podem dar frutos com uma boa organização e planejamento.